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Abordagem Educacional Por Princípios Aplicada à Família

Por Ana Beatriz Rinaldi.

Um dos versículos que melhor fundamenta a Abordagem Educacional Por Princípios está em Romanos 12.1-2. Tenho procurado viver minha vida sem me amoldar às condutas padronizadas pela sociedade, pelas ideias e pela cultura secular, mas antes questionando as raízes de tais comportamentos e ideias. Busco não tomar a forma imposta pela moda ou pela sociedade, e me empenho em confrontar os ditames da cultura contemporânea com a Verdade de Deus. Já vivi o tempo em que as mudanças na minha vida eram só externas e, assim, não prevaleciam por muito tempo. A verdade é que aprendi através da dor e da frustração que a renovação da mente não acontece com as reformas sociais ou mesmo pela educação secular, mas depende de um processo divino quando deixamos Cristo reinar em nós. Infelizmente, demorou para começar a operar em mim o processo de transformação da minha mente, ou seja, uma mudança interna que se expressa externamente para ser sal e luz na vida dos outros, além da minha própria vida. Por esta razão, esta mensagem é sobre a Renovação da Mente que precisa acontecer também na maneira como pensamos a família.

Os Princípios são como muros que erguemos para que a cultura secular não penetre em nós ou para que saibamos discernir entre o bem e o mal. Vivemos um tempo em que temos privilégio de estudar a Palavra com toda a liberdade. Liberdade esta que as crianças da igreja perseguida, por exemplo, não têm. Quantas famílias se esquecem do privilégio que é poder ensinar a Palavra com liberdade e ocupam as crianças com programas de entretenimento, sem dedicar pelo menos uma hora semanal para estudar com elas a Palavra. Já parou para pensar que você, educador, é chamado para erguer muros que protegem as crianças desta cultura egocêntrica, imediatista, consumista e materialista que está sendo vendida a elas nas mídias. Algumas vezes, é a própria família que, por falta de orientação, cede aos padrões seculares sem discernir o que é melhor para seus filhos.

Tenho percebido através do meu contato com os alunos e famílias de escolas o tremendo investimento da mídia para vender seus padrões argumentando que é preciso aderir à cultura, pois ela reflete nossos usos e costumes atuais. Os tempos mudaram, costumamos ouvir!  Creio como diz o Dr. Solano Portela: “o crente tem que ter discernimento moral para separar formas comportamentais que não condizem com a Palavra de Deus”. É preciso discernir a cultura e não simplesmente aderir a ela. O que tenho visto na escola, são muitas famílias pedindo ajuda, sem saber como educar seus filhos, vulneráveis porque se deixam levar por enganadores (bloggers e outras mídias) que buscam desviar as famílias dos princípios estabelecidos por Deus, convidando-os a flexibilizar seus padrões e aderirem ao comportamento da maioria (Tito 1.10-13).  A cultura pode falar de probabilidades, mas Deus fala de possibilidades, e a Palavra nos ensina: Tudo é possível ao que crê! (Marcos 9.23) O que me leva a concluir que é possível implantar uma cultura cristã nos dias de hoje, se as famílias viverem dentro de seus lares uma cultura cristã. Tudo começa dentro da família, por isso essa tão antiga instituição tem sido tão largamente atacada.

Aprendemos que que nosso relacionamento vertical (com Deus) determina nosso relacionamento horizontal (com o próximo). Dentro da família, precisamos viver o amor que perdoa, se sacrifica e sabe doar-se, e este amor só encontramos em Deus. O amor Ágape, que é a base do casamento e do relacionamento de aliança entre irmãos, vem do coração de Deus e está intimamente relacionado ao tempo que gastamos buscando em Deus este amor. Um copo de água pode estar cheio de água, mas não necessariamente de água limpa. Se queremos ser um copo de água limpa, que transborde, será preciso jogar fora toda a água suja e nos deixar limpar pelo Espírito Santo, em um processo de renovação de mente, em uma entrega ao amor incondicional de Deus. Qual seria o caminho para essa experiência? Como viver na família os princípios estabelecidos na Bíblia e que quando são colocados em prática trazem harmonia a família? Precisamos viver profunda experiência de amor, perdão, de caminhar em intimidade com Deus e Sua Palavra, para só assim poder manifestar os frutos de Sua divina presença em nossas vidas e relacionamentos.

Uma figura interessante usada na psicologia é a figura dos aventais. Os “aventais”, são formas que usamos para cobrir nossas vergonhas, nossas feridas e dores. Pode ser uma necessidade profunda de sucesso profissional, uma necessidade exagerada de vestir-se bem ou uma necessidade de aceitação. Mais que nunca estamos recebendo em nossas escolas famílias que precisam de cura!

Se queremos viver a experiência da família que dá bons frutos, precisamos nos preocupar com a qualidade da semente que plantamos. Sem dúvida, a mente focada em Deus nos conecta à fonte, que é Jesus Cristo. Parece apenas uma frase de efeito, mas contém um princípio muito importante: seja bom mordomo de seus pensamentos! Se eu busco encher meus pensamentos com a Palavra, serei capaz também de lançar boas sementes e logo, colher bons frutos.

O autor JEHLE (2007) diz que uma cultura só poderá ser transformada se os princípios e valores de uma sociedade se perpetuar por pelo menos 3 gerações. Carecemos de ver os papéis dentro da família ordenados segundo a Palavra. O pai conhece seu papel de provedor do amor e do sustento, a mãe valoriza e abraça seu papel de respeitar e doutrinar os filhos, e os filhos entendem que precisam aprender a obediência, aprender a valorizar os princípios ensinados pelos pais e vive-los em amor.

Princípios são fonte de sabedoria, mas não basta serem apenas conhecidos e memorizados, pois eles só ganham vida e trazem frutos se forem realmente vividos por nós. Para viver princípios, precisamos ter dentro de nós quem os criou: Deus.

Estamos vivendo momentos desafiadores, aproveite este momento para resgatar seu relacionamento com sua família. Nunca tivemos tanto tempo com as pessoas que amamos e conhece-los mais de perto.  Os frutos do Espírito nos foram dados para, pela fé, nos apropriarmos deles e vivermos o amor que precisamos para formarmos uma família saudável.

Ensaio de Princípios aplicados à Família:

Princípio do Caráter: em Gênesis 2.15: Deus colocou o homem no jardim e deu a ele a missão de o cultivar. O cultivo da terra exige empenho, trabalho. Esta missão dada a Adão por Deus visava forjar nele um caráter de provedor. Esta característica é fundamental ao homem dentro do casamento. O homem deve ser o principal provedor da família. A mulher deve ter tempo para os filhos.

Princípio da Mordomia: em Gênesis 2.15: Além de cultivar a terra o homem deveria guardá-la. Guardar significa observar, tomar conta com atenção, cuidar, ou seja, ser bom mordomo da terra que era por Deus entregue a ele. Um homem precisa tomar conta de sua família, as incumbências dadas ao homem por Deus no Éden, eram uma forma de ensinar ao homem a cuidar de sua família, de seu casamento. A mulher preocupa-se não somente com os cuidados básicos que os filhos necessitam, mas também em alimentar suas mentes com bons pensamentos.

Princípio do Governo: Gênesis 2.16b e 17: Deus dá a Adão a oportunidade de autogovernar-se, ter domínio próprio dizendo a ele que da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele não poderia comer. Um marido ou uma mulher precisam ter domínio próprio, ou autogoverno se quiserem desenvolver uma relação de respeito e honra. Precisam controlar as palavras, a ira, o ciúme e todos os demais sentimentos que podem minar o respeito e o amor no casamento. Desde o Éden, Deus ensinou ao homem a observar princípios que se ele os seguisse seria bem-sucedido, e isso vale para o governo de sua família.

Princípio da Semeadura e Colheita: Gênesis 2.17b: Deus deixa claro que se eles comessem daquela árvore, morreriam. Isso implica uma relação de causa e efeito, semear e colher. Dentro de um casamento os cônjuges devem estar conscientes que suas ações e escolhas terão consequências, tanto para o bem como para o mal. Se desejo algo em meu relacionamento de casamento, devo ser o modelo daquele comportamento.

Princípio da Soberania: Gênesis 2.19-23: o Deus Soberano dá oportunidade a sua mais suprema criação de dar nome aos animais e a chegar à conclusão de que ele também precisava de alguém para ser sua companheira, para que não estivesse sozinho. Aqui Deus ensina a Adão que Ele é a fonte de sua força e soberania. Homem e mulher, dentro de um casamento, precisam reconhecer que a autoridade necessária para conduzir bem seus filhos, vem do Senhor, do Seu Poder e Soberania. Dentro da família, as esferas de autoridade precisam ser bem conhecidas e praticadas pelos cônjuges.

Princípio da Individualidade: Gênesis 2.20: Deus criou todas as coisas com uma identidade distinta, o que também vale para o homem e a mulher. Dentro do casamento, os cônjuges devem acordar o que cabe a cada um, entendendo que cada um tem um papel diferente, porém ambos são importantes. É preciso respeitar a individualidade de cada um. A mulher tem suas características próprias e o homem também! Se cada um souber respeitar a individualidade do outro, terão uma relação harmônica. Deus fez o homem e a mulher diferentes, mas com características que se complementam. Ter sabedoria para usar suas diferenças é um dos caminhos para um casamento que vive a unidade. Os pais não devem fazer comparação entre os filhos, pois cada um deles tem sua individualidade.

Princípio da Aliança: Gênesis 2.24: Homem e mulher se tornam uma só carne. Ainda que diferentes um do outro, homem e mulher pactuam de uma aliança interna e profunda. Sem unidade interna, não há harmonia no lar, e esta unidade interna se torna viva e concreta através do pacto de aliança realizada no casamento e diante de Deus. Os filhos são abençoados por esta unidade. Ainda que sendo diferentes, reconhecem sua unidade e vivem em união.

Princípio da Pureza: Gênesis 3.7 – Adão e Eva após pecarem comendo o fruto da árvore proibida, precisaram de aventais para cobrirem suas “vergonhas”. Quando um casal peca priorizando um prazer temporário e não a pureza, eles correm atrás de aventais, que são formas de esconder seu pecado ou deficiência, afetando sua relação com Deus e no lar (Provérbios 28:13)

Princípio do Conhecimento: 3.22 – Como seria bom se nossos olhos só vissem o bem? Dentro de um casamento nossos olhos devem estar focados na beleza que cada um possui. Quando focamos mais nos defeitos do que nas virtudes, o casamento se torna local de juízo e acusações. O conhecimento de quem cada um é, deve ser usado para gerar compreensão e não acusação e julgamento. O mesmo princípio serve para o relacionamento com os filhos.

 

Ana Beatriz Rinaldi – Gestora do Conhecimento da AECEP.

Bibliografia:

JEHLE, Paul. Ensino e aprendizagem. Belo Horizonte: AECEP, 2007.

_____. As sete colunas da sabedoria. Belo Horizonte: AECEP, 2008.

_____. Go ye therefore and teach all nations. Plymouth, MA: Plymouth Rock Foundation. (formato CD).

Cultura: A Fé é contra ou a favor?

http://www.monergismo.com/textos/cultura/fe_cultura_solano.htm

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