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O FALAR DO PROFESSOR

Por Sheryl Vasso.

Talvez o melhor tratado sobre o poder da língua é o que encontramos na carta de Paulo a Tiago, capítulo 3, carta na qual esse órgão do nosso corpo, tão pequeno, é descrito como “…um fogo; é um mundo de iniquidade.” (Tiago 3.5-6, NVI) É interessante que, no mesmo capítulo, Tiago começa com o imperativo: “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem, é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo.” (Tiago 3.1-2, NVI)

Esse capítulo da Bíblia é um dos meus favoritos, e, mesmo que eu já o tenha lido muitas vezes, só recentemente percebi claramente, logo na introdução, que essa advertência foi escrita para nós, professores: “…nós, os que ensinamos”.

É muito apropriado que o julgamento caia sobre os professores, cuja vocação principal é a comunicação e a transformação do conhecimento, cujo instrumento principal é a língua! No clássico de John Milton Gregory, “As Sete Leis do Ensino”, a terceira lei é a Lei da Linguagem, e os professores são alertados sobre o mau uso da linguagem. Talvez seja essa a maior e mais comum falha no ensino.
O mau uso da linguagem pode ser observado de várias maneiras: no uso inadequado das palavras, no uso de palavras muito sofisticadas e difíceis para os alunos, ou no uso inapropriado de certas palavras. Quem de nós, educadores, que já tenha vivido a experiência por muitos anos, não tropeçou algumas vezes no seu falar? Tiago, porém, oferece esperança para aqueles que desejam tropeçar menos com as suas palavras, sugerindo que devemos prestar mais atenção quando falamos – as palavras são uma das nossas maiores ferramentas de comunicação. Quantas vezes presenteamos uns aos outros com palavras que entristecem ou que causam e deixam feridas! Mesmo com uma breve olhada no capítulo 3 de Tiago, observamos que podemos arruinar o mundo, transformar harmonia em caos, sujar boas reputações, ou destruir o mundo inteiro ou até nós mesmos! Que poder nossas palavras têm! Que grande engano achar que a violência é a grande vilã e que é ela que deve ser temida, e não as palavras ditas…

Quando eu tinha 5 anos de idade e aprendi a andar de bicicleta, tive um encontro meio sério com um buraco na calçada. Esse buraco me fez passar por cima do guidão, cair no jardim da vizinha e bater a cabeça numa pedra. O resultado foi uma concussão, e o médico me disse: “Você tem sorte, mocinha. Se tivesse batido a sua cabeça um pouco mais para a esquerda, talvez teria morrido!” Durante todos estes anos, tentei várias vezes lembrar o incidente, e não consigo lembrar ou sentir a dor física daquele acidente, mas até hoje lembro as palavras do médico que me amedrontaram. Lembro-me também das ocasiões em que meus amiguinhos e outras crianças me chamaram de nomes feios no ônibus da escola, no recreio, ou falaram mal de mim.
Outra lembrança que tenho é de quando era mocinha e ouvia uma canção dos Bee Gees, aquele grupo de irmãos cujo sobrenome era Gibb. O título da canção era “Smile” (Sorria) e a letra do refrão era: “São somente palavras, mas palavras são tudo que tenho para conquistar o seu coração.”
Lembro-me de que gostava muito dos Bee Gees, talvez mais devido a aparência física dos cantores do que seus dotes musicais, mas essa canção me impressionou. Lembro-me de que pensava que o rapaz que estava cantando era meio convencido para pensar que podia conquistar a sua amada somente com as suas palavras, que eram seu único pertence. Não precisava de roupas bonitas, muito dinheiro, ou um carro do ano. Somente suas palavras eram o suficiente para conquistar o coração da sua amada.
Nós também, como professores, podemos conquistar ou ferir os corações dos nossos alunos, aqueles que são entregues aos nossos cuidados. O mesmo refrão dos Bee Gees poderia dizer algo bem diferente: “São somente palavras, mas as palavras são tudo o que tenho para estraçalhar o seu coração.”
“O cirurgião do seu pai é bem medíocre,” disse um amigo meu, profissional na área de medicina, na hora em que meu pai ia para a mesa de cirurgia.
“Afinal, você não pode comprar outro cachorro?” sugeriu minha vizinha quando avisei que a cachorra que eu tinha adotado morreu.
Dói, e dói mesmo! Certamente, com mais de 500.000 palavras na minha língua (inglês), o potencial de dizer algo que vai ferir o nosso próximo é muito grande.

“Quando são muitas as palavras, o pecado está presente.” (Provérbios 10.19, NVI)


“Seu pai é forte, e isto vai ajudá-lo a recuperar da cirurgia,” disse outro profissional de saúde.
“Sua cachorra se foi, mas você vai lembrá-la para sempre,” disse uma amiga que também tinha perdido seu animal de estimação.
Vejam só! Existem muitas oportunidades para dizermos palavras que conquistam os corações dos
outros: “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata.” (Provérbios 25.11, NVI)

O poder das nossas palavras pode oferecer esperança ou desânimo, podem encorajar ou ferir. A palavra de Deus oferece uma recompensa para as palavras que são proferidas apropriadamente.
Deus sugere que, por meio de palavras, podemos acrescentar a alegria na vida de uma pessoa (Provérbios 15.23, NVI), incentivar a sua habilidade de aprender (15.2) e trazer ânimo ao seu coração (12.25).

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